1)
Numa das primeiras casas que visitei havia
4 pessoas presente. Três delas aparentavam ter uma déficit de raciocínio. Ao
perguntar por qual time torciam, uma respondeu o Flamengo e a segunda pessoa
disse Brasil. A primeira corrigiu a si mesma e disse Brasil também. A terceira
pessoa perguntou quem o Flamengo ia enfrentar no próximo jogo. A primeira disse
que parecia ser o Brasil. A segunda confirmou: “Eita, é Brasil mesmo”. Estão
achando isso engraçado? É porque não ouviram a resposta do primeiro: “Vão jogar
amanhã”. O que tem de estranho nessa resposta? Como esse foi o meu primeira dia
de censo, obviamente comecei numa segunda-feira e esse “amanhã” seria numa
terça-feira, ou seja, um dos dias em que não há jogo de futebol ocorrendo.
Optei então em não incluí-los no censo pelo fato de não terem noção de futebol.
2)
Em outro bairro, ao terminar de entrevistar
uma senhora, eu fui prosseguindo o trabalho nas casas vizinhas enquanto aquela
senhora observava pensativa. Então, ela resolveu me procurar e disse que tinha
esquecido de incluir seus filhos. Observei logo que tais filhos não moravam com
ela e perguntei sobre isso. Ela respondeu que moravam na Bahia. Mesmo dizendo
que só podia incluir pessoas que moravam em sua casa e que não valia pessoas de
outro Estado, ela me perseguiu implorando pra colocar seus filhos. Achei ela
muito divertida e isso reforça minha tese de que torcedor não é somente aquele
que vai ao estádio, mas todos os que torcem por algum time, como algumas
pessoas que já ouvi falar alegando sobre isso: que torcedor só vale o que vai
aos estádios.
3)
Próximo de minha casa também apareceu uma
senhora que por causa do Flamengo, torcia por tudo o que era vermelho, ou seja,
em cada Estado por um rubro-negro. Como em Patos há o Esporte, que é
rubro-negro, ela torcia por este e também por Campinense, mesmo sendo também da
própria Paraíba. Em Pernambuco por Sport; em Bahia por Vitória e daí por
diante. Até no Rio Grande do Sul torcia por Internacional só por ser colorado.
O vermelho incluía tudo, inclusive na política.
4)
Em um determinado bairro estava havendo
cerco da polícia contra traficantes e me meti exatamente nesse meio. Por causa
disso parei duas semanas de realizar o censo por medo, pois assim como a
polícia poderia pensar que eu fosse um traficante, os mesmo poderiam imaginar
que eu fosse um policial disfarçado. Aconteceram outras duas confusões por
conta do censo que me pararam por uns 3 dias.
5)
Como a época em que realizei o censo foi a
mesma época da política, algumas casas me atenderam mal e batiam a porta em
minha cara pensando ser política. Sempre que eu dizia se tratar de torcida de
time de futebol as pessoas mudavam radicalmente o humor e começavam a sorrir.
Em um desses “mal engano”, no bairro do São Sebastião, um homem que beirava uns
50 anos soltou “flechas” de protestos contra mim. Numa dessas citou “Esses
políticos só procuram a pessoa quando precisam, quando estão desesperados por
voto. Quando precisamos dele não estão nem aí”. Em seguida a isso ouvi muito
desaforo que mesmo sem eu ter nada a ver, me deixou mal por uma semana. Percebi
que não adiantava explicar nada a ele, pois qualquer coisa que dissesse ele não
iria aceitar. Se eu dissesse até que era levando a Palavra de Deus ele
insultaria até Deus. Moral da história, acabei batendo boca com ele em pleno
meio da rua. Para uma alta idade este não demonstrou ter educação nenhuma, nem
queria saber de que se tratava, foi logo soltando seus “cachorros”.
6)
Esses tipos de contratempos citado acima
ocorre mesmo sem pensar se tratar de política. Agradeço muito à população de
Patos por quase todos me receberem bem, entretanto, também não recomendo serem
tão hospitaleiros. Muitos respondiam sem pensar duas vezes, sem me conhecer ou
saber da veracidade do censo. Pouquíssimas foram as casas em que o morador
pediu para se identificar ou a apresentação de um crachá. Se bem que deve-se
levar em conta que um tipo de censo desse pega tão de surpresa que as pessoas
se divertiam em responder, por se tratar de time de futebol. Mesmo observando o
lado positivo daqueles que pediam alguma identificação, devo destacar algo
muito IMPORTANTE aqui. Dos poucos que pediam identificação, a maioria pedia de
uma forma grosseira, quase insultando. Eu não sou nenhum meliante e esse
destrato me deixava irritado, imagine se fossem realmente pessoas com más
intenções. O que posso dizer é que as pessoas têm que saber como responder a
esse tipo de situação, pois alguém de má índole pode marcar você e a casa por
causa disso ou quem sabe fazer algo naquela hora. Então... como se deve agir?
Nunca esquecerei uma casa que visitei no Belo Horizonte, numa rua perpendicular
ao cemitério do bairro, cujo número da casa era 40, 80, 140, 180 ou algo assim.
A pessoa pediu qualquer tipo de identificação com toda educação possível e
ainda por cima pediu desculpas por não querer responder. Me retirei do lugar e
ainda se despediu de mim. Me senti tão bem pelo tratamento que durante aquela
manhã realizei o censo muito satisfeito. Estão vendo a diferença de como agir?
Um me insultou por causa de política me deixando mal por uma semana. O outro me
tratou bem a ponto de eu responder a mim mesmo: “por isso continuo com este
trabalho. Porque tem pessoas que ainda vale a pena”.
7)
Abro este
último item pra falar exatamente daquele que trataram mal. Na mesma rua
do caso anterior e quase de frente a este que me atendeu super bem mesmo sem
responder à entrevista, houve um que “rasgou” o verbo contra mim. Mas a
educação do anterior me fez esquecer dos maus tratos deste no mesmo minuto.
Houve uma senhora que despejou palavrões e eu respondi que Deus a abençoasse.
No segundo bairro que entrevistei uma jovem não quis responder e sua mãe não
soube o que responder a respeito do time porque se sentiu acuada pela filha,
semi deitada no sofá. Esta respondeu que a mãe não deve ficar respondido de
tudo para quem não conhece. Ela estava certa, mas a forma como falou e a falta
de respeito ao dizer isso em minha frente é que chamou a atenção. É o mesmo
caso que citei no item 6. Enfim, teve alguns poucos mal educados que
destrataram e se irritavam por serem interrompidos durante seus afazeres, mesmo
eu dizendo que não chegava a 1 minuto de entrevista. Aquela velha resposta do:
“não tenho tempo”, quando você percebia que era mentira, mas que não queria
responder. Por mais que chateasse o fato de não responder, eu ainda preferia
ouvir isso do que a mentira do “não ter tempo”.
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